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A Mentira como regra, a Corrupção como meio – parte 1

publicado em 4 de setembro de 2017 - Por Pedro Marcelo Galasso

Todo modo de produção carrega consigo elementos institucionais, ideológicos e econômicos, na medida em que estes são constitutivos e constituintes de cada um deles.

Há, ainda, um dado grau de exploração, de ordem e de normas que regulam o universo infindável de questões correlatas a vida social. No entanto, as formações sociais e culturais, bem como os ordenamentos políticos devem prezar pela manutenção da vida das pessoas que mantem e sustentam os modos de produção.
O Capitalismo, nosso modo de produção, por definição excludente e pautado na exploração do trabalho alheio, possui todos os elementos acima, dentre vários outros, mas tem um caráter perverso específico – constrói sonhos, cria vislumbres de possibilidades e de liberdades e se utiliza disso para aumentar seu grau de exploração, fato que parece difícil de ser negado, algo que vai tão longe que o faz vender a própria ideia de sua superação. Talvez seja lícito dizer que isto é possível já que o Capitalismo descobriu uma forma de opressão que é quase impossível de superar – a necessidade de se manter no sistema a qualquer preço e custo. Esta característica cotidiana aumenta o grau de opressão e impor uma subserviência quase absoluta.
O que ocorreu ontem, no Brasil, sem discussão aprofundada sobre a forma histórica de nosso Estado, os problemas urgentes de nossa população mais carente, sem as considerações nossos infindáveis e inumeráveis problemas estruturais, é resultado de um processo de opressão econômica e política que foi construído ao longo de toda a nossa História.
Quem, nesta lógica, é favorecido? Quem se beneficia nas negociações entre empregadores e empregados? Quem ganha e quem perde?
Nosso empresariado é formado por valores que carregam o peso do passado colonial e escravista e não tem uma visão empreendedora, ou seja, ele não vê a melhora na vida de seus empregados como ganho, mas a vê como perda, como gasto e, por isso, utiliza de todas as formas de exploração do trabalho e cria uma ideologia do favor na qual ele, o empregador, surge como uma figura benevolente que faz o favor de criar empregos para quem aceitar suas condições. Casos de abusos no interior de locais de trabalho são comuns e notórios. Neste ponto, alguém sempre proclama – “Mas a Justiça do Trabalho sempre favorece o empregado”; a resposta é sim, pois a relação é, em sua essência, desigual desde o momento que ela se inicia.
Um país de pessoas subservientes e acomodadas, que se iludem com mecanismos de compra e venda, que creem em um futuro quase messiânico, pode apostar em tais mudanças? Um modelo tentado em outros países e que não deu certo, dará certo aqui?
Enfim, apesar de todo o cenário caótico e irresponsável que se desenha, ele já tem seu quadro opressivo formado – a necessidade de aceitar quaisquer condições e imposições de trabalho.
Ainda assim, a luta contra a opressão via trabalho deve continuar, pois a História é uma construção humana e social, nos dando sempre a possibilidade de mudanças, ainda que que a imensa maioria das pessoas creia que nosso destino social e político já esteja definido.

Pedro Marcelo Galasso – cientista político, professor e escritor. E-mail: p.m.galasso@gmail.com