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A Mentira como regra, a Corrupção como meio – parte 2

publicado em 4 de setembro de 2017 - Por Pedro Marcelo Galasso

Liberação de bilhões de reais para emendas parlamentares, que nunca se concretizam, pelo governo Temer, notadamente para seus aliados para que votassem o arquivamento das acusações contra o presidente.

Um político do PT propõe que políticos não sejam presos e nem impedidos oito meses antes das eleições, uma clara e escandalosa tentativa de garantir a candidatura do ex-presidente Lula nas eleições de 2018, após a sua condenação pelo juiz Moro, um fato político e jurídico que apresenta os dois heróis de grupos políticos rivais, mas que têm como semelhanças seus véus de lisura, de honestidade e de justiça, além dos frágeis pés de barro.
O PSDB se cala frente às acusações contra o senador Aécio Neves, que viu seus pares arquivarem as acusações, mais que provadas, contra ele. Vale lembrar que inúmeros políticos deste partido, que para alguns salvará o país, estão envolvidos e citados em depoimentos e delações, mas seus processos investigatórios nunca caminham. E, ao que parece, este mesmo partido que se calou frente as acusações contra Aécio Neves sinaliza abandonar o senador, por conveniência ou oportunismo eleitoreiro.
E, então, ignorantes, no sentido mais clássico do termo, sem um pingo de preocupação ou de responsabilidade política, praticantes de atos de corrupção por conveniência ou “esperteza”, somados a um grupo que se proclama de “esquerda” sem saberem o peso e a responsabilidade de tal afirmação, ou de direita, sem terem a mínima ideia do que tal termo encerra, ficam brigando como crianças mimadas sem assumirem a responsabilidade sobre suas falas ou sobre o que escrevem crendo, como manda o comportamento irresponsável e inconsequente, agirem de forma politizada.
Além do mais, as pessoas deveriam procurar estudar sobre as noções básicas de Política, Estado, governo e afins antes de escreverem bobagens sob o falso e perigoso véu de “consciência política”.
Além disso, os textos das reformas, algumas já esquecidas, do atual governo fica claro que o projeto iniciado no governo Collor está se concretizando, mas, desta vez, de forma anticonstitucional, pois vários pontos desrespeitam a Constituição.
Estranho, mas não surpreendente, perceber que pessoas que serão prejudicadas por estas reformas, ainda assim, a defendam. Por outro lado, dependendo do lado que as pessoas estão nesta equação é possível imaginar a felicidade de muitos.
Alguns dizem, mas temos as negociações. Sim.
Entretanto, temos, mais ainda, que trabalhar, infortunamente, alguns sob quaisquer condições e, portanto, a capacidade de negociação favorece quem emprega e não quem é empregado, o que, por si só, torna a situação do trabalho no Brasil delicada para milhões de pessoas que não têm condição de firmar acordos justos com seus empregadores.
Enfim, perdem os mais carentes, abandonados ou manipulados por pessoas que lhes negam a dignidade, as possibilidades de melhora, mas lhes impondo a fome, a violência, a opressão e a permanência da pobreza, da miséria e do esquecimento.
E nem mesmo as organizações Globo conseguem explicar o absurdo do que está sendo feito, pois como justificar, legitimar ou explicar as ameaças, atropelos, compras de votos, entrega de ministérios, barganhas políticas, mais concessões aos ruralistas, uma Justiça injusta, Exército nas ruas, institucionalização da corrupção, dentre tantos outros atos praticados nos últimos meses?

Pedro Marcelo Galasso – cientista político, professor e escritor. E-mail: p.m.galasso@gmail.com