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Coluna Conversa Necessária
publicado em 29 de setembro de 2018 - Por Dirce GuimarãesJá estamos em contagem regressiva para elegermos os membros que comporão o Poder Executivo e o Poder Legislativo nas esferas federal e estadual. No Poder Executivo, na realidade, nós elegemos os titulares, os vices são escolhas dos candidatos.
Pois é, nós podemos vir a ter um presidente, um governador que não foram eleitos por nós. Isso ocorre quando o(a) Vice assume cargo do titular. Nós não elegemos o Temer, nem o Márcio França, no entanto, um é Presidente e o outro Governador. Nós aqui na nossa Bragança não elegemos o Amauri, por circunstâncias agora ele é o Prefeito. Estranha essa eleição “casada”, esse voto em duplicata. Votamos em um e elegemos dois. Às vezes o (a) vice não dá certo. E daí?
Na esfera federal, o Poder Legislativo é formado pelo Congresso Nacional, que é composto por duas Casas de Leis: o Senado Federal e a Câmara dos Deputados. Nesta eleição serão eleitos/reeleitos 54 Senadores, sendo dois por Estado, que correspondem a 2/3 do Senado.
Eles cumprirão um mandato de 8 anos. Aqui também ocorre uma situação muito esdrúxula: se o Senador se afastar, o seu substituto não é aquele que ficou em “segundo” lugar, o seu substituto é o seu suplente, escolhido por ele, e o seu nome nem é divulgado. Essa situação foge à regra e não encontramos justificativas. A segunda Casa de Leis é a Câmara Federal. Vão ser eleitos/reeleitos 513 deputados, que somados aos 81 senadores, dão 594 legisladores. É preciso de tudo isso? Quanto nos custa esse batalhão? Quanto?
PODER LEGISLATIVO ESTADUAL PAULISTA
Vamos para o Poder Legislativo Estadual paulista. É composto pela Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo – ALESP, que conta com 94 Deputados. Repetimos a pergunta: Há necessidade dessa quase uma centena de deputados? Quanto nos custa? Por certo, as tetas são apetitosas e fartas. Na presente eleição, 77 Deputados Estaduais estão concorrendo à reeleição, 7 concorrem ao Legislativo Federal e 10 estão deixando a política. Que raridade! Mas têm muitos que estão buscando seu 7º, 8º mandato, eles têm sede de “Poder”, vivem “da” política e até se vangloriam em usurpar direitos dos outros.
FALEMOS UM POUCO DAS REELEIÇÕES, REELEIÇÕES E REELEIÇÕES . . .
Façamos um parêntese: lembram-se que os cargos do Poder Executivo: Presidente, Governador e Prefeito não era permitido reeleição. Na fase Fernando Henrique, ele “conseguiu” aprovar uma só reeleição e basta. Pois é, no Poder Legislativo, como são eles que fazem as leis, eles praticam o egocentrismo, vivem em simbiose harmônica, cultivam a ganância pelo Poder, conjugam o verbo venha a nós o quanto mais; então, as suas reeleições não têm limites e esses eternos reeleitos não se constrangem em numerar as suas reeleições. Fazem que não percebem que são eles que não permitem a renovação, a mudança no Legislativo. Não são nada democráticos.
A lei Eleitoral favorece muito as reeleições, as comportas são totalmente abertas. Os Deputados, os Senadores, os Vereadores, têm a reeleição livre. Conseguindo a 1ª eleição, basta aprender as manhas para as reeleições. A contaminação é purulenta. Tornam-se estrategistas por excelência.
Os candidatos às reeleições são imensamente favorecidos: já se tornaram conhecidos no cargo; têm uma máquina legislativa a seu dispor por 24 horas diárias, contam com toda assessoria administrativa, jurídica, financeira da Assembleia; e para melhorar o seu quadro têm uma assessoria particular com mais de 20 pessoas, que acaba sendo uma assessoria política, cabos eleitorais com salários gordos, presenças constantes nos seus redutos eleitorais para lembrar sempre o nome do Deputado que fez, que está fazendo, que vai fazer. Às vezes falham e falham feio!!!
Esses legisladores são também exímios caronistas, circulam pela Secretarias e quando acham alguma obra, fruto de planejamento, pesquisa e trabalho, sem pestanejar assumem a paternidade da obra, e junto à comunidade, estufam o peito e dizem: Eu consegui para vocês! Anulando assim todo um trabalho de “servidores públicos” de fato.
E ASSIM CAMINHAM AS REELEIÇÕES, IMPEDINDO AS ELEIÇÕES DOS NOVOS
Deu para perceber como os candidatos às reeleições têm uma série de favorecimentos? Sequer são obrigados a se afastar do cargo para fazer campanha eleitoral “oficial”, porque em campanha sempre vivem, não comparecem nas Casas de Leis, recebem os salários e continuam com as mesmas mordomias.
Que vida dura! A maioria do seu eleitorado cativo é formada por cidadãos despolitizados, nada questionam, não têm a dimensão do valor do seu voto, se alegram por pouco. Até com um cartão natalino que recebe, o coitado não sabe que esse cartão e a sua postagem são pagos com o seu dinheiro: verba correio. Cabeça e mundo pequeno desses cidadãos. Culpa dos que se fazem donos do Poder. Para eles, educar o povo é proibido. Que estágio!
MORDOMIAS E ALTÍSSIMOS SALÁRIOS SÃO OS CHAMARIZES PARA AS REELEIÇÕES
Pois é, caros leitores, nem vamos repassar aqui a despesa diária de cada legislador: Senador, Deputado Federal e Deputado Estadual, vocês não iriam acreditar, consultem vocês mesmos os respectivos sítios (sites).
Vocês perceberão o porque das extremas carências em todas as áreas, o porque da violência aqui no térreo, o porque da injustiça social que massacra, o porque da falta de fraternidade, de humanidade. A conclusão, por certo, será esta: A classe política transformou-se em vampiros sugadores do sangue dos cidadãos que trabalham, pagam impostos e nem sabem fazer o cálculo de quanto recolhem, e sequer tem o retorno social devido, para que possa ter uma vida digna.
No andar térreo, a violência é individualizada, no andar superior a violência é coletiva. Vocês conseguem digerir que aqui na nossa Bragança os Vereadores fizeram uma Lei para ganharem um salário de R$ 12 mil por mês? E continuam com suas atividades particulares.
A produção do seu trabalho é pífia. Eles são muitos atentos com os falecimentos para requererem “votos de pesar” para a família. São adjuntos dos Secretários Municipais: pedem para tapar buracos nas ruas, arrumar as estradas, pintar a Unidade Básica de Saúde, o prédio escolar, podar a árvore etc. Priorizam coisas miúdas que trazem votos.
As graúdas, muito raro. Qual vereador que está acompanhando mais esta verba de R$6.800.000 (seis milhões e oitocentos mil reais) para restauração do “Theatro Carlos Gomes”? Qual o vereador que está acompanhando a tramitação para compra dos maquinários? E o Lago do Taboão? E a reforma das Praças centrais, quanto foi investido e até agora nada? E a ex-Praça9 de Julho? E por aí segue.
Tomara que os cabrestos fiquem nas salas dos arreios. Que cada eleitor decida o seu voto sem interferência, sem medo de represália, que use da sua liberdade. No momento do voto, é você e a urna, a urna e você.
A C O R D A B R A G A N Ç A ! ! !


