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Coluna Conversa Necessária
publicado em 2 de junho de 2018 - Por Dirce GuimarãesEssa movimentação dos caminhoneiros deixou claro “que o poder emana do povo”. E mais ainda, mostrou para todos nós que no país, mais importantes são aqueles cidadãos cujos trabalhos por eles executados são imprescindíveis, vitais, sustentáculos de uma rede infinita de atividades que respondem pelo bem estar de todos nós. E nesse patamar existem mil trabalhos e milhares de trabalhadores que são pilastras do país, que são a base da pirâmide social.
Esses trabalhadores são reconhecidos? São respeitados? Onde está a dignidade enquanto cidadãos? Eles têm moradia condizente? Eles têm atendimento à saúde? Eles têm escola que ensina a si e a seus filhos a serem cidadãos de fato e de direito? E o que acontece com esses cidadãos da base piramidal? São chamados de baixa categoria na escala profissional. Parece que até existe um certo estigma, um certo preconceito nas relações.
Os cidadãos que se sentem “categorizados”, “ricos”, “poderosos”, não conseguem enxergar o alto grau de importância que tem esses cidadãos “menos categorizados”. A discriminação começa com os baixíssimos salários, reflexo da injustiça social que campeia à solta por este país.
Pois é, pensemos numa paralisação dos coletores de lixo, numa paralisação dos motoristas do transporte público, numa paralisação dos eletricitários. Bem, a dos caminhoneiros nós acabamos de vivenciar e estamos com ameaça de paralisação geral dos petroleiros no próximo dia 12 – eles são os responsáveis pela produção da gasolina, óleo diesel e derivados. Qualquer paralização desses profissionais nós sabemos o tamanho do caos?
E mais uma vez perguntamos: qual o salário desses cidadãos extremamente importantes para a vida do país? Por certo, muitos estão na faixa do salário mínimo. Um caminhoneiro que faz o transporte de peixe congelado disse a um repórter que ganha R$1.200,00 (um mil e duzentos reais) por mês. Isso é desumano!
E nós não queremos chamar de “greve dos caminhoneiros”, nós acreditamos que é um movimento de conscientização da classe por melhores condições de vida. A paralisação foi uma atitude extrema para dizer ao (des)governo que a situação está insustentável, que atarraxa, não consegue fazer mais rosca. Pelo o que vimos e ouvimos, parece que as mudanças são inexpressivas.
O que nos revoltou foi ouvir que para atender as reivindicações dos caminhoneiros vai ser preciso tirar recursos da Saúde e da Educação! Meu Deus!!! Os caminhoneiros viraram os vilões, os culpados. Que país é esse? Tire recursos dos Poderes Constituídos.
Diante desse quadro calamitoso, proponho que cada um de nós consulte no seu celular, no seu computador, entrem nos “sites” dos três Poderes: Legislativo, Executivo, Judiciário, e constatem os salários exorbitantes, as mordomias inacreditáveis, o tamanho desperdício do nosso dinheiro.
É revoltante. Construíram para si, às nossas custas, uma verdadeira “Ilha da Fantasia”. Só para atiçar a curiosidade: “O Congresso Nacional custa quase R$29 milhões por dia em 2018 ou R$ 1,2 milhão por hora” (Fonte: valor levantado pela “Contas Abertas”).
Pensem na Assembleia Legislativa de São Paulo, em que um Deputado pode gastar até R$ 142 mil por mês e ter 32 assessores. Pensem na nossa Câmara Municipal com 19 vereadores com salário mensal de R$ 12 mil, mais mordomias. Quanto tudo isso nos custa? Pois é, e se essas três categorias “paralisarem”, causarão transtornos? É para refletir.
Na próxima semana voltaremos com a avaliação das Atividades Legislativas da Câmara Municipal, pesquisada por Maria Bueno. Uma última colocação: Se a Municipal “paralisar”? Não vamos nem ficar sabendo.
