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Começou…

publicado em 27 de julho de 2018 - Por Pedro Marcelo Galasso

A corrida eleitoral, para a próxima eleição no Brasil, começou com os anúncios dos presidenciáveis e com as discussões sobre os candidatos aos governos estaduais, deixando de lado, como de costume as discussões sobre os senadores e os deputados, federais e estaduais, e os nomes para possíveis escolhas são os piores possíveis.

Nesse processo, caro, longo e confuso, é possível observar de tudo, desde os famosos salvadores da pátria até os mais bem preparados. De fato, as posturas propagandeadas são todas falsas e cumprem mais os papéis de personagens do que de políticos com as responsabilidades que lhes são devidas, ou seja, as escolhas se pautam em espetáculos midiáticos e não nas reais intenções ou possibilidades de governo.

Algumas farsas serão desfeitas, outras serão criadas e o resultado final será uma confusão imensa que se tornará maior se assistirmos ao segundo turno para presidente da República.

É justo, portanto, perguntar como os eleitores e as eleitoras fazem suas escolhas, como se baseiam em quem irão votar, por que mudam de opiniões, o que pensam sobre o processo. Seria responsabilidade do Estado democrático explicar todo o processo, favorecer a escolha consciente do voto, o que não ocorre e não irá ocorrer já que a confusão sobre o processo é desejada e estimulada pelo mesmo Estado e ajuda os grupos e partidos políticos a conquistarem seus votos a quaisquer preços e custos, com mentiras, favorecimentos e imposições econômicas que, por si só, lesam quem vota.

As estatísticas, os gráficos, as pesquisas de opinião são elementos importantes para o entendimento geral do processo eleitoral e devem ser complementadas com teorias que explicam as escolhas.

Dentre elas, escolhemos as seguintes – a psicológica, a sociológica e a racionalista.

Para a teoria psicológica, as formulações partem da psicologia social e defende, como esperado, que as escolhas se baseiam em determinantes psicológicos apontados com o uso de questionários, aplicados por amostragem, e cujos dados são submetidos a interpretação psicológica, pautando-se na figura do indivíduo eleitor.

Já a teoria sociológica, vê as escolhas como condicionadas pelo contexto social com todo o peso do grupo social ao qual o eleitor ou eleitora pertence, defendendo que cada grupo tem a sua escolha e um tipo de voto. Segundo essa teoria, as mudanças nas composições dos grupos podem alterar as escolhas e o panorama eleitoral.

E, a teoria racionalista ou teoria da racionalidade, tem como pretensão sua aproximação com as teorias econômicas e crê que as escolhas eleitorais são pautadas nas ideias de benefícios e perdas, ou seja, a racionalidade na escolha decide se ganham mais ou perdem mais dentre as propostas eleitorais apresentadas. Há, aqui, uma quantificação da escolha eleitoral.

Entretanto, é importante ressaltar que as teorias apresentadas acima explicam o processo do ponto de vista teórico e, na prática, podemos identificar que elas se misturam com o predomínio de uma das teorias sobre as demais dependendo dos partidos e grupos políticos e até com relação aos candidatos e candidatas.

O fato é – teremos uma eleição justa, honesta e que pense o bem do país? As candidaturas apresentadas são as melhores possíveis? Os eleitores e as eleitoras cumprirão seu papel de atenção ao longo do processo eleitoral? É permitido ter esperança?

É difícil responder as perguntas, exceto a última. Não é preciso ter esperança, mas sim consciência e responsabilidade civil, pública e eleitoral.

Pedro Marcelo Galasso – cientista político, professor e escritor. E-mail: p.m.galasso@gmail.com