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Entenda o que aconteceu com o trânsito de Bragança

publicado em 17 de agosto de 2018 - Por João Raposo

Não há assunto mais em “moda” do que falar sobre o trânsito em Bragança. Infelizmente o que se fala é ruim. Muito ruim! Aliás, é péssimo!!! Pudera, não é para menos, afinal todos já notaram que com as alterações feitas entre a Praça 9 de Julho e a entrada da estrada que vai para o circuito das Águas (em grande parte da Avenida Imigrantes) pioraram, e muito, o trânsito da cidade inteira. Não interessa se é horário de pico ou não! Hoje você leva mais tempo para chegar a um lugar do que antes, e se for horário de pico esse tempo pode ser multiplicado por 3, 4 ou mais que antes!

Mas, o que houve? Os carros aumentaram tanto assim em dois ou três meses? A resposta é não! Não aumentaram! O que houve foi um incrível erro de engenharia, talvez o maior que Raposão já viu na história de Bragança, quiçá até de uma cidade, onde se levou em conta apenas o projeto e não o “entorno” desse projeto.

Raposão explica: trânsito nunca foi uma questão de “engenharia”, mas sim uma questão de “bom senso”. Assim, a engenharia apenas projeta, mas se não houver bom senso na elaboração e, principalmente, uma grande percepção do que realmente está ocorrendo na cidade, o resultado é isso aí que estamos vendo: uma “catástrofe” (lembrando que Raposão está “bonzinho”, pois até a Coluna passada chamava “isso aí”, “carinhosamente”, de “porcaria”).

Simplesmente, o trânsito da região onde tais semáforos (e retornos e cruzamentos absurdos, totalmente sem “noção”) foram postos, e mais as regiões adjacentes (Rua José Domingues e outras próximas dessa “catástrofe” que fizeram) foram afetados. E muito afetados!!!

Mas, o que houve? Vamos lá: “trânsito é igual rio, ele sempre converge para o mar”. O que Raposão quer dizer com isso? Toda cidade tem uma via que escoa grande parte do fluxo de trânsito dela. Vou citar dois exemplos: as Marginais Tietê e Pinheiros na cidade de São Paulo, onde grande parte do trânsito se direciona para elas, desemboca nelas, como se as ruas da cidade fossem os rios e as Marginais fossem o mar.

Pois bem, aqui em Bragança temos (ou “tínhamos”) dois mares, que são a Avenida Norte Sul e a Avenida dos Imigrantes, esta última onde a “catástrofe” ocorreu, onde essas obras “sem algum senso” foram feitas. Apenas para dar um exemplo do enorme erro que se cometeu aqui em Bragança, imagine se na Marginal Tietê, lá em São Paulo, fossem colocados semáforos a cada 400 metros, um quilômetro que fosse?? O que aconteceria? Lá, tal como a nossa Avenida Imigrantes, é o “mar” (lembra-se do que escrevi mais acima?), ou seja, é a nossa via de “escoamento rápido”, a via que todos os “rios” convergem para ela e o nome “escoamento rápido” diz tudo: quanto menos pará-lo, melhor!

Assim, se fossem colocados semáforos lá na Marginal Tietê, em São Paulo, tal qual como foram colocados aqui na nossa Avenida Imigrantes e Praça 9 de Julho, arrisco a dizer que praticamente toda a cidade de São Paulo pararia, pois você simplesmente estaria obstruindo o “mar”. E foi isso que ocorreu com o trânsito de Bragança! Que aumento de carros, que nada!

O que houve com Bragança é que eles “travaram” a nossa via de escoamento rápido (Avenida Imigrantes) e com isso travaram quase tudo, pois especialmente em horários de pico praticamente todas as ruas próximas travaram também! (tente descer a Prefeitura em direção ao Lago do Taboão ou tente descer a Rua José Domingues em direção ao Taboão ou, ainda, tente andar na Avenida José Gomes da Rocha Leal no horário próximo das 07h ou especialmente 18h, para ver se você consegue ir mais rápido com seu carro do que “a pé”!? Conselho de Raposão: Vá a pé que você chega muito antes!

E A SOLUÇÃO?

A solução falo aqui faz tempo, mas primeiro queria enfatizar que essa “catástrofe” aí que foi feita, além de esquecerem que a Praça 9 de Julho e a Avenida Imigrantes são (ou “eram”) o nosso “mar”, esqueceram também de um princípio básico em trânsito, que é “aumentar as vias” por onde os carros transitam. Isso é elementar!!!

Mas, como assim Raposão? Desde quando Bragança, uma cidade antiga e com ruas estreitas, vai conseguir aumentar ou alargar suas vias? E eu respondo: da mesma maneira que algumas cidades em nosso entorno fizeram (Atibaia, por exemplo), ou seja, transformando vias de duas mãos em mãos únicas. Assim, como opino há anos, o que deveria ter sido feito aqui é bem mais simples do que foi feito e com certeza bem mais barato: transformar a Rua Tupi e a Avenida José Gomes da Rocha Leal em sentido único do Taboão até a rotatória do Lavapés, onde, note, teríamos assim duas ou até três pistas (dependendo do tamanho ou largura das faixas e se iria haver estacionamento dos dois lados ou não) para fluir todo o trânsito.

E, do outro lado, lá na Avenida Imigrantes, fazer o sentido contrário, ou seja, “arrancar” o canteiro central e os postes dele, desde a rotatória do Lavapés até próximo à Praça 9 de Julho, onde assim teríamos os carros em sentido único Lavapés-Taboão, em 4 ou 5 pistas (dependendo também da largura da faixa e se haveria ou não estacionamento dos dois lados ou apenas de uma lado da Avenida Imigrantes), ou seja algo “bem grande”, “bem largo” e simples! Ah, os retornos?

Ora, as ruas transversais serviriam para o retorno em mão única, ou seja, uma rua em um sentido e a próxima em outro sentido. As ruas que servem de saída da via expressa, talvez, nem de semáforo iriam precisar, porque os carros estarão saindo da via, entendeu? Os semáforos existiriam nas ruas transversais, donde os carros irão “adentrar” na via expressa. Lembrando que essa ideia cumpre o princípio básico de melhoria de trânsito, que é “alargar” as ruas.

DO JEITO QUE ESTÁ NÃO PODE…

…continuar nem por um mês, pois o “colapso” é iminente e, para parar tudo de vez é uma questão de tempo, muito pouco tempo!

Lembrando que essa “catástrofe” começou com uma Ação do Ministério Público sobre o impacto que o Shopping Center causaria no trânsito e “disso” originou, “erradamente”, um “Termo de Ajuste de Conduta” (popularmente chamado de TAC), que a administração municipal anterior a esta, “erradamente” assinou e que a atual administração “erradamente” executou, enfim, TODOS estão errados nesta história!!! Todos!!!

Então, vai ter de haver uma colaboração de todos, cada qual assumindo seus erros, para mudar toda essa “catástrofe” que foi feita e que está aí, atrapalhando a todos! Por sua vez, a administração atual há de assumir sua parte do erro, que foi de ter executado esse projeto, e dar um jeito de arrumar dinheiro para refazer isso tudo, espero que acatando a minha “sugestão” acima que, parece, sem falsa modéstia, muito boa, senão a única possível!

Como citei no início: “TRÂNSITO NÃO É ENGENHARIA! TRÂNSITO É BOM SENSO!”. É o que esperamos que todos (Administração Municipal, Ministério Público, etc) tenham, para desfazer essa “catástrofe!”
Aguardemos…