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Houston, Texas

publicado em 25 de maio de 2018 - Por Pedro Marcelo Galasso

 

Mais uma vez os EUA, país mais poderoso do mundo, viveu, de forma triste e cruel, outro crime de ódio cuja raiz, fonte ou motivação foge da lógica e nos deixa perplexos pela frieza desse tipo de ação que não pode ser evitada ou controlada sem que algumas pessoas morram ou sejam feridas, além do terror e do medo daqueles que sobrevivem.

Qual seria a razão de tanto ódio?

A frustração, a inveja, o ressentimento?

Pergunta que permanece sem resposta, mas que alimenta uma série infindável de reflexões sobre as motivações que um jovem tem para planejar e promover um ato tão violento e insano. É importante notar que, só nos EUA, casos parecidos superam em muito os anos anteriores. Por qual razão? Ou por quais razões?

Afinal, atirar em uma outra pessoa que não pode se defender e nem mesmo fugir tem um ar de perversidade que assustaria até os mais ardorosos defensores de medidas violentas nas ações governamentais. Um ato solitário que nasce de questões coletivas e que tornam explícitas ideias e que preferimos esconder ou não pensar, crendo, erroneamente, que elas irão desaparecer sozinhas, tais como a violência e a desconsideração das pessoas, tidas como obstáculos que atrapalham nossa marcha desgovernada e sem rumo.

O terror de tais ações gera efeitos psicológicos profundos e assustadores por conta da impossibilidade de previsão e do direcionamento dos ataques a determinados grupos de pessoas, algo que não segue lógica e nem apresenta um sentido, exceto para o autor de tamanha atrocidade.

Quais seriam as principais motivações? Triunfo sobre o outro? Orgulho pela destruição? O papel de Senhor da vida e da morte? Ou, o que é mais perigoso, o excesso da liberdade dos massacres arbitrários realizados por países, grupos terroristas, sociedade civil e que são justificados, propagandeados, enaltecidos e que seguem sem limites e sem punição?

Fato é que quaisquer dos motivos escolhidos para explicar o que tais atos são ou deveriam ser, as respostas são sempre violentas em um momento histórico que vende a violência como a forma mais rápida e segura de resolução de conflitos já que, segundo essa lógica, o exterminar ou eliminar o “inimigo”, seja ele quem for, é legítimo e até desejável. Como somos todos inimigos que impedem as marchas dos demais, a violência parece ser a melhor das respostas.

É como se a crueza da ação de matar fosse transformada em um momento de satisfação, de prazer que mesmo com todas as suas consequências e toda a sua frieza e injustiça vale a pena. Ser preso, cometer suicídio após a ação, ser morto, qualquer coisa, não importa frente a satisfação e a necessidade de matar.

É como se a afirmar dos grupos ao incluírem ou excluírem as pessoas motivasse e alimentasse o ódio frente ao que é diferente, na verdade, frente a quem é diferente.

O ódio pela diferença é fácil de ser alimentado, cultivado e praticado. Além disso, a difusão de ideias discriminatórias parece justificar o que alguns jovens fazem.

Outro ato cruel e insano que nos deve fazer refletir sobre a liberdade do porte de armas nos EUA e no Brasil.

Pedro Marcelo Galasso – cientista político, professor e escritor. E-mail: p.m.galasso@gmail.com