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O que pensar?

publicado em 12 de julho de 2018 - Por Pedro Marcelo Galasso

Ao longo dos jogos da Copa do Mundo da Rússia, como de costume somos tomados por uma catarse coletiva, uma quase obrigação de torcer por uma seleção de futebol dirigida por uma das instituições mais corruptas do país, corrupção de caráter internacional que teve como provas a prisão de um ex-presidente, nos EUA, e o banimento de outro presidente dessa dita instituição.

De praxe, foram eleitos os heróis nacionais, figuras que carregariam em si os sonhos de milhões de brasileiros com relação ao hexa! Nada mais apropriado, quando sabemos que o grande herói, a personificação dos nossos sonhos, era Neymar, figura pública execrável e um péssimo exemplo, exposto de forma vergonhosa em todo o mundo, com suas simulações que se tornaram chacota numa escala global. E esse é o menor dos problemas.

O pior são as acusações tributárias que pesavam sobre tão nobre figura, que, frente a tudo o que faz, é uma boa caracterização de uma sociedade civil oportunista e mentirosa, como a nossa.

Fracassada a campanha da Copa, os sonhos ruíram. Afinal, os sonhos têm ruído a muito tempo. A confiança no suposto gigante que haveria acordado se mostrou uma das maiores mentiras já criadas por aqui, um país pródigo em mentir, em simular, dissimular, fazer de tudo para não se dar conta daquilo que realmente é – um país desigual, injusto, que sustenta, sobre a pobreza de milhões, uma classe política corrupta e uma elite estúpida, cega e gananciosa.

Exagero? Não, uma triste constatação.

Basta imaginar os gastos com nossa corrupta classe política e nem precisamos ir tão longe para analisarmos os malefícios que esses políticos profissionais causam, é só olhar o estado da nossa cidade e transformar o caos em escala nacional.

Além disso, para tornar tudo pior, a questão jurídica que tomou conta do Brasil no último final de semana é a marca maior do quão desorganizadas são nossas instituições já que, até agora, não consenso sobre quem tinha razão, o juiz plantonista, o TRF-4, o STF…

A bagunça jurídica beneficia a quem? Quem sabe o que de fato ocorreu? Quem tinha ou tem razão?

Perguntas fundamentais que não são respondidas por ninguém e que são manipuladas ao sabor dos interesses partidários, midiáticos ou jurídicos, mas que trazem o medo para quem sabe o que tal insegurança institucional significa, pois se não podemos confiar nossos direitos à esfera jurídica, a quem devemos recorrer?

Não há inocentes no caos jurídico criado, a questão é – o que se pretende com isso? Quem se beneficia com isso? Quem nos protege de tudo o que ocorreu?

A escolha e a velocidade das tomadas de decisões nesses casos são as provas cabais de que a morosidade do Judiciário, algo por si só inaceitável, é seletiva, ou seja, a objetividade do ordenamento jurídico é posta de lado para atender interesses partidários e até privados.

Já disseram que o Brasil não é um país sério e a cada dia fica mais difícil defender ou entender o que ocorre por aqui.

Pedro Marcelo Galasso – cientista político, professor e escritor. E-mail: p.m.galasso@gmail.com