Colunistas
Parece que os debates eleitorais não empolgam mais, tornaram-se inócuos, cansativos
publicado em 6 de outubro de 2018 - Por Dirce GuimarãesNossa! Como são lindas as maritacas! Pudemos observá-las bem de perto nos minutinhos de pouso no telhado de casa. São uns pássaros elegantes, altivos. O verde daplumagem é intenso.A sobreposição das penas é quase imperceptível.
Voaram em seguida, com os seus agudos trinados. O seu verde nos fez lembrar do Palmeiras, hoje mais verde do que nunca. Não podemos falar o mesmo do Brasil, neste momento de eleições. Não percebemos grandes esperanças por parte dos cidadãos. Percebemos só uma tentativa. Aquele verde de esperança está desbotado.
PARECE QUE OS DEBATES ELEITORAIS NÃO EMPOLGAM MAIS, TORNARAM-SE INÓCUOS, CANSATIVOS
Após o debate ao vivo da última quinta-feira, na Globo, com os presidenciáveis, registrando ausências, percebe-se que todos vão preparados para ataque/defesa, vão prontos para rememorar e cobrar fatos e não para discutir assuntos importantes que devem constar do Programa de Governo.
Esse debate existe só para quem tem disponibilidade de assistir e não para aquele trabalhador que tem que acordar às 4 ou 5 horas da matina. Nós eleitores temos que votar na base do ‘achômetro’, ou daquela esperança desenhada por nós ou apenas registrar presença.
Há muito tempo que está constatada a necessidade de uma reforma política que venha responder aos novos quadros, às novas circunstâncias existentes, frutos da evolução dos tempos. O Brasil não muda, existe uma classe política arraigada ao Poder e existe uma maioria de eleitores facilmente manipulados que confirmam a sua permanência com os seus votos viciados.
Se não viermos a ter uma nova Lei Eleitoral que não permita reeleições consecutivas, que proíba a vitaliciedade dos cargos (de pai para filho), que proíba o nepotismo no núcleo dos Poderes, que exija a ficha limpa no ato da candidatura, que não permita fazer política no uso do cargo, a mesmice prossegue. Enquanto isso não mudar, continuaremos a ter pais prefeitos trabalhando com a máquina administrativa pelos filhos candidatos, parentes candidatos, amigos candidatos.
Continuaremos a ter “políticos profissionais” que vivem “da política”, temos muitos exemplos, o do momento é do presidenciável 17, ele é deputado por longos 27 anos; dos seus três filhos, um é deputado por São Paulo, outro é deputado no Rio, outro é vereador e a sua ex-mulher aboliu as suas queixas e é candidata ao cargo de deputado usando o sobrenome do ex-marido. Isso é abuso legalizado do Poder. Enquanto isso os cidadãos com condições de assumir cargos eletivos deixam de concorrer, face a esses políticos gananciosos que construíram os “seus” redutos eleitorais fixos, acabam por dificultar a renovação, a eleição de novos candidatos aos Poderes.
Pois é, sem uma reforma política que quebre esses vínculos eleitoreiros, a história se repete em todas as eleições: são sempre os mesmos candidatos utilizando de velhas artimanhas, do jogo do “faz de conta”, do desvio de função, da renovação de promessas não cumpridas e por aí vai. E o quadro político não muda, culpa também dos eleitores que não votam nos novos candidatos, que têm propostas atualizadas, além do “sangue novo”.
E nós já escrevemos: uma boa parte do eleitorado não faz uso da capacidade de análise, não pesquisa, não conhece o valor do seu voto, vota porque é obrigado a votar, segue o voto de familiares e tudo bem. É bom relembrar: que pelo menos na hora do voto cada eleitor pratique o dístico paulistano: “Conduzo, não sou conduzido”. Quem sabe, ao fazer a necessária cola, a reflexão aconteça e chegue até o tilintar da urna.
Pois é, dentro da mesmice, continuamos a chamar “Dia da Eleição”. Não é verdade. Falta o complemento: “e da Reeleição”. Enquanto a Lei Eleitoral não proibir as reeleições, as velhas raposas insistem em ficar nos cargos ou até subirem de posto. Exemplos atuais: Bolsonaro, Alckmin, Doria. O Poder seduz. E como!!! Será que devemos ser os seus facilitadores?
A C O R D A B R A G A N Ç A ! ! !



