Colunistas
Privatizações, o inaceitável e o péssimo ministro
publicado em 24 de outubro de 2017 - Por Pedro Marcelo Galasso
As justificativas para as privatizações são sempre as mesmas, ou seja, é preciso enxugar a máquina pública e dar fim nas empresas que geram prejuízos para o governo. No entanto, algumas questões são imprescindíveis para a discussão.
Fato é que o anúncio da venda de mais de catorze estatais, dentre elas a Eletrobrás, empresa estatal do setor de geração de energia, responsável pelo controle de 38% da geração de energia e sobre 47% dos cabos de transmissão de energia, provocou reações em todas as grandes Bolsas de Valores do mundo, animando todo o mercado global sobre as possibilidades que estas estatais prometem. Pensemos somente na Eletrobrás, criada por Getúlio Vargas, na década de 1950.
Como uma empresa estatal de energia de escala continental e que anima todo o mercado global pode ser, como afirma o governo federal, deficitária?
Como uma empresa deste porte e de um setor tão estratégico, dado o potencial hidrelétrico brasileiro, ser tão deficitária a ponto do governo federal pensar na sua venda, na sua privatização?
Qual a justificativa técnica e orçamentária que o governo federal apresentou para a sociedade civil como razão para o anúncio?
Parece que o processo todo vai seguir a lógica adotada desde o governo Collor, ou seja, há um comunicado da venda sem uma explicação técnica sobre o tema, com a frágil justificativa do corte de gastos públicos. Sabemos, também, que outros setores poderiam sofrer cortes orçamentários, como, por exemplo, o Legislativo e seus quase sete bilhões de reais gastos anualmente, sabe lá onde, com parlamentares que nem de longe cumprem suas funções de forma eficiente e honesta, algo que é confirmado e reconfirmado por fatos de explícita gravidade.
Não bastasse o absurdo sem justificativa técnica do anúncio das privatizações, as notícias dos casos de assédio em ônibus na cidade de São Paulo, caso comum e inaceitável para milhões de pessoas, é a mostra de como a nossa sociedade civil e seu quadro jurídico são confusos e irresponsáveis por permitirem repetidas vezes as ações de assédio de um cidadão que deveria ter sido tratado, na forma da lei e da responsabilidade estatal, como um criminoso ou como uma pessoa que necessita de cuidado especial que o Estado tem a responsabilidade de oferecer.
Triste dizer que um magistrado não teve o bom senso e nem a sensibilidade de ver o caso como ofensivo e perigoso ao permitir que tal cidadão retomasse suas atividades e não respondesse por seus atos, pois o nobre magistrado não viu constrangimento no ato deste cidadão ejacular em uma passageira o que, parece, não ter sido a primeira vez que esta figura tem este comportamento desprezível e questionável.
Ao ser preso, pela segunda vez em poucos dias após a sua soltura, este cidadão foi colocado em uma cela comum, como resultado da ação irresponsável do magistrado que não responde a ninguém, para ser espancado em um espaço público controlado oficialmente pelo Estado que deveria julga-lo com rigor e garantir seus direitos. As leis existem, mas estão submetidas ao julgamento de magistrados que nem sempre tomam as decisões que lhes cabem, criando a confusão entre o respeito frente as determinações legais e a ridícula afirmação dos direitos humanos que protegem os bandidos que, nesta lógica perversa, merecem ser mortos por serem incuráveis e irrecuperáveis, tema já debatido em outros momentos.
E, para fechar uma quinzena de fatos inaceitáveis, o anúncio do despreparado Ministro da Educação sobre os privilégios e regalias dos professores expressa de forma clara e incontestável como o atual governo federal vê a Educação – um fardo a ser descartado e que leva a desconsideração de um profissional importante para a construção de um país melhor, o professor. Para perceber a mentira do anúncio basta comparar os alegados privilégios dados aos professores e o absurdo irresponsável e sem sentido dos privilégios garantidos e controlados pela nossa classe política.
Um país que vê a Educação como um fardo contra toda a lógica de crescimento e de valorização profissional defendida nos países que compõem o eixo da economia e do bem-estar social no mundo.
Pedro Marcelo Galasso – cientista político, professor e escritor. E-mail: p.m.galasso@gmail.com
