Cotidiano
Casal de Bragança Paulista participará de Congresso Internacional de Matemática
publicado em 14 de agosto de 2020 - Por A Imprensa de Bragança
Daniela e Rafael Peres apresentaram estudos no ano passado no Congresso Nacional de Matemática de Uberaba-MG (Arquivo pessoal)
Depois de participarem de Congresso Regional, em 2018 e Nacional em 2019, chegou a vez do casal de professores de matemática de Bragança Paulista, Rafael Peres e Daniela Pereira Mendes Peres, participar da Conferência Internacional de Ciência em Engenharia, que será realizada em Chicago, nos Estados Unidos, entre os dias 15 e 18 de outubro.
Neste ano, por conta da pandemia do Coronavírus, a conferência será no formato online. “Inicialmente a conferência seria em agosto, de forma presencial, mas foi adiada para outubro e será online”, afirmaram Rafael e Daniela em entrevista ao Bragança-Jornal nesta semana.
Ambos são professores de matemática da Escola Estadual Ministro Alcindo Bueno de Assis (EEMABA), também colaboradores da Universidade Virtual do Estado de São Paulo (Univesp) e mestrandos da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Rafael ainda ministra aulas no Instituto Educacional Santa Terezinha, e Daniela é diretora da Escola Municipal Maria José dos Campos Dorigo, no Bairro da Boa Vista.
A trajetória de estudos do casal começou em 2018 na Unicamp, quando foram admitidos para o curso de mestrado profissional em Matemática Aplicada e Computacional.
“Durante o nosso estudo de mestrado, a Unicamp oferece muitas oportunidades de interação com o assunto que você está estudando e também com outras pessoas do Brasil e do mundo que estudam o mesmo tema. Neste ano, nos foi dada a oportunidade de interagir na IConEST, que é uma conferência de ciência e engenharia. Para nós é um momento bom de aprendizagem, para vermos o que o mundo está trabalhando neste tema e também passar para os outros a nossa linha de pesquisa”, afirmou Daniela.
O casal é orientado pelo professor Dr. Márcio Antônio de Faria Rosa. “Nós três escrevemos dois artigos e tivemos um retorno muito positivo dos organizadores da conferencia. A nossa linha de pesquisa não é muito usual. Nós defendemos o uso de software como ferramenta para trazer melhoria na qualidade de ensino. Infelizmente, os cursos de engenharia no Brasil são deficitários na aplicação da matemática.
A nossa linha de pesquisa, que é voltada para o ensino da matemática na área de engenharia, defende o uso da matemática no dia a dia no trabalho dele e como ele pode inovar”, afirmaram. “O Brasil não tem engenheiros criando coisas simples e um dos fatores é a formação. O engenheiro tem aula de cálculo de um recorte da matemática, mas não direcionado para o que de fato ele quer trabalhar”, relataram. “Os nossos dois artigos aceitos na IConEST tratam sobre como usar a matemática como ferramenta, junto com o auxílio de software, para facilitar a aprendizagem para futuros engenheiros”, explicaram.
“Estamos bastante otimistas com os nossos artigos; na avaliação inicial, onde são analisados cinco quesitos, todos foram avaliados como excelentes ou ótimos. Vemos que o tema é pertinente. O fato de ser online muda um pouco a expectativa, mas o propósito é o mesmo, que é divulgar a linha de pesquisa que nós desenvolvemos”, disseram.
Um dos artigos traz o tema “Gauss com matrizes elementares no SoftAge”. “As tendências de ensino modernas têm nos mostrado o uso de software como um facilitador para aprender matemática. Um software é uma ferramenta poderosa que economiza tempo e otimiza a resolução de problemas.
Sempre que ensinamos aos alunos como resolver sistemas lineares pelo método de Gauss com um software, é importante e necessário que os alunos já tenham aprendido o conceito de matrizes elementares. Os sistemas lineares e seus diversos métodos de resolução – incluindo o método com matrizes – já foram estudados em matemática básica, pois fazem parte do currículo do ensino médio.
Portanto, temos que aprimorar as ferramentas oferecidas aos alunos para desenvolverem o estudo desse tipo de problema comum e podemos fazê-lo utilizando softwares”, explicam. No outro artigo, o tema é “EDOs juntos EDPs e campos de vetores no SoftAge”. “Hoje em dia, quando a educação matemática pode ser aplicada com softwares, ela precisa ser revista. Destacamos neste artigo que as EDOs devem ser ensinadas do ponto de vista geométrico e qualitativo, juntamente com uma introdução as EDPs e campos vetoriais.
Isso aumentaria as habilidades do futuro usuário de matemática, não apenas para obter soluções explícitas a partir de um comando direto como o DSolve, mas também nas situações em que esse comando não ajuda. A interpretação geométrica e o conceito de campos de direção com imagens geradas por softwares nos darão um bom entendimento de possíveis evoluções do sistema”, afirmaram.
Por fim, o casal disse que “a matemática sofre um preconceito desde a educação básica, e divulgar esse trabalho ajuda a desmistificar esse paradigma”. “Somos professores de educação básica e muitas vezes entramos nas salas de aulas com a negativa dos alunos sobre a matéria. É uma disciplina que requer atenção, mas qualquer pessoa pode aprender. Nosso objetivo de voltar a estudar é trazer mais ferramentas para o estudo do aluno e melhorar a visão dos alunos em relação à matemática”, finalizaram.





