Cotidiano

Castração de cães e gatos aumentará no município, garante secretário de Meio Ambiente

publicado em 26 de maio de 2018 - Por A Imprensa de Bragança
Alexandro Morais afirma que secretaria está levantando custos para colocar em prática um maior número de castrações e realizar microchipagem

Em entrevista ao BJD nesta semana, o secretário municipal de Meio Ambiente Alexandro Morais prometeu aumentar o número de castrações de cães e gatos no município.

Atualmente são realizadas 35 castrações mensais pela Prefeitura, número considerado insuficiente pela associação de proteção aos animais Faros D’Ajuda, responsável pela gestão do abrigo municipal, por acolhedores independentes de animais de rua e pelo próprio secretário. Eles admitem estar sendo possível apenas ‘enxugar gelo’.

Ação é antiga reivindicação de entidades protetoras
e acolhedores independentes de animais

“O número de castrações de fato é 35, que faz parte do objeto do edital que contratou a Faros D’Ajuda para prestar o serviço de gestão do canil e gatil municipal. Com relação ao aumento das castrações, estamos elaborando um novo edital de chamamento público para uma entidade, que pode ser até mesmo a Faros, para a gestão do abrigo. Estamos prevendo um aumento, mas o número concreto ainda não está definido, uma vez que o contrato com a Faros vence em agosto de 2018″, afirma o secretário.

“Além do que estará contemplado no edital, também estamos vendo outras alternativas para podermos aumentar o número de castrações de cães e gatos no município. Dentre as alternativas estariam convênios com clínicas ou até mesmo com a FESB [Fundação de Ensino Superior de Bragança Paulista], mas tudo depende do valor, estudo de viabilidade técnico-econômica para firmar convênio ou termos uma estrutura própria.

Outra possibilidade seria um ‘castra-móvel’, uma estrutura composta por um ônibus ou trailer, que teria alguns ambientes homologados pelo Conselho Regional de Veterinária, que iria até a população ao invés de a população ir até o local para fazer a castração.

Obviamente seria feito um cadastro e comunicados os munícipes. As possibilidades são muitas, mas depende do custo-benefício, tanto para a secretaria quanto para a população, para saber qual opção ou tecnologia seria melhor, com preço justo, para dar o melhor atendimento que os pets merecem”, destaca.

O prazo para concluir os estudos para o novo convênio é de um mês, segundo o secretário. “Já está avançado o processo; acredito que em 30 dias a questão já estará definida e entre 30 e 60 dias para o edital de chamamento público”, acrescenta.

MICROCHIPAGEM

A lei municipal 4.311/2012 prevê uma série de punições a quem comete maus tratos ou abandona animais. A lei contempla não somente cães e gatos, como também os equídeos, que devem ser registrados por um microchip, identificador eletrônico, com os dados relativos ao animal, identificação do proprietário ou responsável e o local de permanência do animal.

Ainda conforme o secretário, a ideia, além de ampliar a castração, é realizar a microchipagem para seguir a lei. “Não adianta nada só fazer a castração. Às vezes o animal entrou numa campanha de castração e dois ou três meses depois está na rua. Mediante um microchip é realizado um cadastro e podemos saber quem é o proprietário, para que seja punido”, diz.

EDUCAÇÃO

Outras ideias contempladas nos projetos relacionados aos animais, segundo o secretário e o chefe de Divisão de Bem Estar Animal, Alcides Del Vecchio, que participou de parte da entrevista, é realizar um trabalho nas escolas para falar sobre a posse responsável e a importância da castração, em parceria com entidades protetoras.

ABRIGO RECEBE SOMENTE ANIMAIS DOENTES E FERIDOS

A insuficiência no número de castrações no município é sentida ‘na pele’ pelos defensores dos direitos dos animais, que não vêem parar o número de animais abandonados e até mesmo mal tratados. Entretanto, não é possível acolher todos, como explica Márcia Davanso, presidente da Faros D’Ajuda, associação que realiza a gestão do abrigo municipal.

Márcia Davanso diz que abrigo municipal tem limitações e não pode ser entendido como um depósito de animais

“O abrigo tem a função que começa com nossa missão como entidade de proteção, de acolher animais de rua doentes e feridos. É impossível acolher todos os animais soltos na rua. A figura da carrocinha não existe mais por força de lei. Não podemos trazer todos para o abrigo, senão vira um depósito de animais. Nosso foco sempre foi os doentes e feridos, e mesmo assim recebemos cerca de 1200 animais por ano. Estamos com 450 animais, quase 150 animais acima da capacidade”, esclarece Márcia.

A lotação do abrigo repercute na condição financeira da entidade. Do repasse de R$ 20 mil da Prefeitura, são comprometidos R$ 5 mil apenas para as 35 castrações. Além disso, são exigidas 75 cirurgias no mínimo: 40 para a Faros e 35 para a Prefeitura, fora o pagamento dos funcionários.

Rosimeire Mazer tem seis cães e um gato em casa, todos pegos da rua

“Nossa despesa média é de R$ 40 / 45 mil por mês e temos que correr atrás do que falta, por do nosso próprio bolso ou através de doações da população e eventos que realizamos. Quanto mais animais chegam, maior a nossa despesa. E como temos foco em animais doentes e feridos, temos um gasto maior com medicação, cirurgias e exames, mas não medimos esforços. Fazemos e depois corremos atrás para pagar as dívidas”, afirma Márcia.

“Para que as pessoas possam doar os animais, a Faros orienta que a responsabilidade é do próprio dono; o que fazemos é disponibilizar nossa página no Facebook, que é muito acessada. A possibilidade de doar pela página é muito grande”, conclui.

PROTETORAS

Para amenizar a situação do abandono de animais, muitas pessoas acabam se sensibilizando e acolhendo em suas casas, cobrindo todas as despesas com alimentação e veterinários. É o caso de Rosimeire Mazer, que recebeu a reportagem do BJD em sua residência. Ela tem seis cães e um gato, todos recolhidos das ruas. Ainda assim, considera que faz pouco e espera que o município possa colocar em prática os planos para diminuir o abandono de animais.

“O que eu faço é muito pouco. Conheço muitas protetoras de animais que fazem muito mais. Mas faço o que posso, até acima do que está ao meu alcance. Tomara que a Prefeitura possa realizar mais campanhas de castração e colocar microchip nos animais para que possamos ter um controle dessa situação e diminuir o sofrimento deles, que merecem respeito”, diz.