Cotidiano

Comércio é o setor que mais oferece chances de 1º emprego em Bragança

publicado em 9 de junho de 2018 - Por A Imprensa de Bragança
Para o assessor econômico da Fecomercio, Jaime Vasconcellos, o comércio bragantino é ainda mais pujante comparado ao do Estado de São Paulo

Nesta semana, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) divulgou uma pesquisa que aponta o comércio varejista de Bragança Paulista como responsável por 36,2% das contratações de primeiro emprego nos últimos cinco anos.

A pesquisa foi feita em parceria com o Sindicato do Comércio Varejista de Bragança Paulista (Sincobrag).  Para o assessor econômico da entidade estadual, Jaime Vasconcellos, esse estudo evidencia que o comércio da cidade tem como característica estrutural acolher os jovens em sua primeira oportunidade de trabalho, já que é um setor que não requer experiência, “mas exige vontade de trabalhar”.

Os dados da pesquisa foram apresentados nesta semana durante seminário que reuniu comerciantes bragantinos, promovido pelo Fecomercio e Sincobrag.

O estudo mostra que, de janeiro de 2013 a dezembro de 2017, das 8.200 pessoas que estavam em busca da primeira contratação formal na cidade, ou seja, com carteira assinada, 2.966 foram empregadas pelo comércio varejista. Em segundo lugar aparece o subsetor de serviços de alimentação, alojamento e comunicação, com 1.623 admissões. Os índices foram apurados pela assessoria econômica da Fecomercio, com base nos dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho.

“A pesquisa mostra que não é apenas uma característica do comércio varejista em empregar jovens, mas ela é a porta de entrada para a formalização. Sabemos que o comércio é um setor de transição, poucas pessoas fazem carreira no comércio, mas é o setor que mais dá a primeira oportunidade”, analisou o assessor econômico da Fecomercio, Jaime Vasconcellos, em entrevista exclusiva ao BJD.

Os números da pesquisa demonstram a relevância do varejo na economia e sua função social. “Quando falamos de emprego estamos falando de renda, e quem tem renda, tem crédito. Isso significa qualidade de vida, independência financeira. Mais do que ser um ganho econômico, é um ganho social”, afirmou.

Na avaliação da entidade, o setor atrai esse perfil de mão de obra principalmente por valorizar características pessoais do profissional, como facilidade de comunicação, boa relação no trato interpessoal, seja com a equipe ou com os clientes, além de disposição e flexibilidade de horários.

“Muitas vezes para o empresário, a pessoa a ser contratada precisa ter um bom traquejo, bom relacionamento com os funcionários, atendimento telefônico, entre outras atividades, que não necessitam de experiência. São dotes individuais. Ou seja, a experiência é importante, mas no comércio varejista você precisa de pessoas com dotes pessoais, que tenham paciência, disponibilidade de horário e isso é mais comum aos jovens”, comentou Jaime.

Outro ponto destacado pelo especialista são as sazonalidades do varejo, a exemplo de datas comemorativas como Páscoa, Dia das Mães, Dia dos Namorados, Natal e outras, que abrem oportunidades de emprego temporário, facilitando a contratação de pessoas sem experiência prévia.

”Muitas vagas de primeiro emprego são abertas nessas datas e acabam sendo efetivadas posteriormente. Neste processo inicial de recuperação econômica do Brasil e de recuperação de emprego, as datas especiais podem ser uma grande oportunidade, principalmente para o jovem”, comentou Jaime.

Para o presidente do Sincobrag, Gerson Teixeira, um dos critérios para a efetivação dos jovens que estão no primeiro emprego é a dinâmica. Para ele, as instalações na cidade do shopping e de vários supermercados atacadistas contribuíram para a elevação desses números.

No Estado de São Paulo, apesar de o mercado de trabalho do varejo ter eliminado aproximadamente 100 mil vínculos empregatícios formais nesses cinco anos, sua característica de absorver trabalhadores sem experiência profissional foi mantida.

No período, das 2,7 milhões de admissões referentes a primeiro emprego, 25% foram feitas pelo varejo, sendo a maior participação setorial no Estado. “O que nos chama a atenção é que o comércio em Bragança é ainda mais pujante, emprega um a cada três pessoas; no estado esse número é de um para quatro”, finalizou Jaime Vasconcellos.