Cotidiano
Instituições de ensino se preparam para possível volta às aulas presenciais; APEOESP é contra
publicado em 14 de agosto de 2020 - Por A Imprensa de Bragança
Previsão de retorno às aulas é no dia 7 de outubro
A possível retomada das aulas presenciais no estado de São Paulo está prevista para o dia 7 de outubro. A partir do dia 8 de setembro, porém, desde que o município esteja por 28 dias na fase amarela, as escolas também ficam autorizadas a receber os alunos para aulas de reforço, recuperação e atividades opcionais.
Para entender como o sistema educacional da cidade se prepara para este momento, a reportagem do Bragança-Jornal conversou com uma série de representantes de instituições de ensino e também com o secretário municipal de Educação, Adilson Condesso. Todos salientaram a eficácia do ensino de forma remota e disseram estar preparados, dentro das recomendações, para voltar a receber os alunos gradativamente. O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo, porém, se posiciona de forma contrária.
Ensino Básico
O secretário municipal de Educação, Adilson Condesso, disse que em toda a rede municipal será aplicada uma pesquisa para ouvir os pais e funcionários sobre o interesse em voltar ou não às atividades parciais, liberadas a partir de 8 de setembro. “Nós vamos distribuir, via unidade escolar, uma pesquisa bem simples para que os pais se manifestem se têm ou não interesse no retorno a essas atividades parciais”, destaca Condesso.
O secretário, que afirmou que a pesquisa também será aplicada aos profissionais da educação, reforça que neste primeiro momento, se do interesse das famílias, não serão retomadas as aulas, mas sim atividades pontais. A ser lançada na próxima semana, a pesquisa deverá ser preenchida individualmente e assinada por cada responsável dos alunos de toda a rede, que envolve ensino infantil, fundamental, rural e urbano.
A diretoria da Unidade I do Colégio Integral, Similmar Fozatto Franco, disse ao Bragança-Jornal que a escola está preparada para o retorno às aulas, atendendo os protocolos de segurança. “Nossas salas não são numerosas e os espaços são grandes, podendo garantir um distanciamento de até mais de 2 metros”, destaca.
O diretor do Instituto Educacional Coração de Jesus, Joel Rezende, publicou um vídeo no site do colégio com um comunicado oficial referente à volta às aulas presenciais. Segundo ele, o retorno gradativo não será obrigatório e as aulas remotas continuam até o fim do ano. “Temos, como escola católica, um compromisso principal com a defesa da vida, então é certo que vamos seguir não só as recomendações sanitárias das autoridades públicas, como também os protocolos estabelecidos pela Rede Filhas de Jesus para dar a máxima condição de segurança aos nossos alunos e aos nossos educadores”, reforça no vídeo.
Ensino Superior
A Universidade São Francisco, em nota, declarou ao Bragança-Jornal que neste 2º semestre as disciplinas teóricas permanecerão ocorrendo de forma remota até a liberação do retorno integral das atividades presenciais pelas autoridades responsáveis. A parte prática será oferecida presencialmente, com ocupação máxima de 35% da capacidade, de acordo com as orientações do Plano de Retorno da Educação do Governo do Estado de São Paulo.
A assessoria da USF destacou ainda que, pensando em cenários futuros e o retorno das atividades acadêmicas presencialmente, foi elaborado um plano de ação de medidas de enfrentamento da COVID-19, com adequações de espaços, investimentos em EPI e estabelecimento de protocolos sanitários. Entre as ações estão a criação de um Comitê Interno de Prevenção ao COVID-19, que acompanha o gerenciamento de ações nos campus.
Raquel Oriani Costa Negro, diretora acadêmica da Faculdade de Ciências e Letras da Fesb, disse à reportagem do Bragança-Jornal que o plano para a volta às aulas presenciais está pronto, e espera apenas a autorização dos órgãos de saúde e do governo do estado.
“Nesse começo, vamos priorizar o ensino híbrido, trazendo o aluno para as aulas práticas na faculdade, enquanto as aulas teóricas continuam remotas”, conta. Raquel, ponderou, inclusive, que a faculdade entrou com um documento junto à Vigilância Sanitária pedindo uma visita, para verificar se o plano está adequado às recomendações.
Objeções
Procurado pelo Bragança-Jornal, o Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP), disse continuar contra a volta às aulas da forma proposta pelo Governo paulista. “Sem as devidas precauções e adoção das medidas sanitárias adequadas não há possibilidade de retorno com segurança aos bancos das escolas”, declarou em nota.
O sindicato já protocolou junto à OMS/OPAS um ofício para relatar a postura do Governo do Estado de São Paulo frente à pandemia da Covid-19; se fez presente em uma audiência pública sobre o retorno às aulas presenciais promovida por Deputados Estaduais em 27 de julho; além de realizar um encontro em ambiente virtual para debater o assunto. Neste último, segundo a assessoria de imprensa do sindicato, “houve consenso entre todos os presentes quanto à irresponsabilidade de um retorno às escolas num momento de pandemia”, declara o informativo oficial.
Aulas online
De acordo com o secretário de Educação, as atividades online da rede municipal obtiveram 81% de aproveitamento na educação básica obrigatória. Este dado foi constatado em uma pesquisa realizada pelos professores, em cada uma das turmas. Condesso destacou que dos 19% que não participam, metade demonstrou que não tem interesse.
“Chegamos nesse número porque colocamos o número do responsável no grupo do WhatsApp da classe e ele bloqueia, exclui ou troca de número e não atualiza ou não atende as ligações feitas pela escola”, explica.
No Colégio Integral, atualmente as aulas ocorrem todos os dias, ao vivo, das 7h15 às 12h50, e segundo a diretora Silmilmar com alta adesão dos alunos.
Os alunos da FESB também relataram satisfação com as aulas online. “No fim do semestre passado realizamos uma avaliação que foi bem positiva. As queixas dos alunos já foram ajustadas nas férias de julho”, explica a diretora acadêmica Raquel, que salienta que são aulas remotas assíncronas. “É o professor e a turma presente no horário de aula”.
Migrações
Com relação à migração de alunos para a rede pública, Condesso informou que de abril até 30 de julho, data do último levantamento, foram registradas 200 transferências, sendo 115 para a educação infantil e 85 para o fundamental.





