Cotidiano
Mães de UTI: Relatos de dor e esperança de mães com filhos na UTI Neonatal
publicado em 12 de maio de 2018 - Por A Imprensa de Bragança
Gerson Gomes/BJD
A espera pelo bebê é algo que, em muitas famílias, gera muita expectativa, além de ser um grande acontecimento. No entanto, quando os pequenos ‘resolvem’ vir antes da hora, a UTI Neonatal acaba se tornando o ‘primeiro lar’ depois que saem do ventre materno.
Em alguns casos, são apenas dias de observação, mas em outros pode passar meses até que as mães levem seus filhos para casa.
Na tarde da última quinta-feira, 10, a reportagem do BJD conversou com duas ‘mães de UTI’ após estas visitarem seus filhos na UTI Neonatal do Hospital Universitário São Francisco (HUSF). Rosenilda Aparecida Moreira, 39 anos, mãe de Arthur Henrique, que nasceu com 31 semanas e meia e 1,080 kg, no dia 16 de abril, portanto há quase um mês, vem todos os dias de Atibaia para visitar o recém-nascido. Mãe de três filhos, foi a primeira vez que um teve que ficar na UTI. “Tive uma gravidez de alto risco.
Às vésperas do Dia das Mães, duas ‘mães de UTI’
deram depoimentos emocionados sobre essa espera.
HUSF tem equipe multidisciplinar
para dar assistência às famílias
Um dia antes do parto minha pressão subiu. Tive que fazer uma cesárea de urgência”, contou Rosenilda. Ainda se recuperando, pois está na ‘quarentena’, Rosenilda disse que consegue vir todos os dias de Atibaia para Bragança. “A Prefeitura de Atibaia disponibilizou uma van. Chego aqui às 11h00 e vou embora às 16h00. Todos os dias, de domingo a domingo. Essa tem sido a minha rotina desde o dia que ele nasceu”.
Com 24 dias na UTI Neonatal, Arthur Henrique ganhou quase 500 gramas. “No começo tive muito medo de perdê-lo, mas agora está tudo bem. Domingo, Dia das Mães, vou ganhar o maior presente, pois vou carregá-lo no colo pela primeira vez”, disse emocionada.
Luana Aparecida da Silva, 27 anos, é mãe de Asafe Manoel. O primeiro nome, segundo a mãe, foi escolhido pelo pai e significa “Deus fez”. Luana mora em Camanducaia (MG) e esse é seu primeiro filho, que nasceu de 32 semanas, com 2,100 kg, no dia 17 de fevereiro. Há quatro meses ela vem todos os dias ver o seu bebê, também com a ajuda da Prefeitura daquela cidade.
Apesar de ter nascido num peso bom para 7 meses, o filho ainda apresenta problemas respiratórios. “Durante o pré-natal descobri que meu líquido estava muito alto. Sentia muita contração e o parto precisou ser induzido. Quando ele nasceu, pensei que logo iria para casa, como acontece normalmente, mas levei um choque quando o vi pela primeira vez na incubadora. No começo foi difícil. Passou um mês e nada. Fui aprendendo a viver um dia após o outro”, relatou.
Luana descreveu que por vários momentos os sentimentos de alegria e tristeza se confundiam ao mesmo tempo. “Por estar quatro meses aqui, vi crianças entrarem e já terem alta e o meu ainda está aqui. Eu tenho confiança nos médicos, nos enfermeiros, em todo o pessoal que trabalha aqui. Tenho fé que logo meu filho vai estar em casa. O quarto está preparado para recebê-lo, mas as roupinhas pequenas já não servem mais”, disse alegre.
UTI NEONATAL DO HUSF
A UTI Neonatal do HUSF tem capacidade para atender até 17 crianças, segundo o enfermeiro Abner Pereira de Almeida, que informou ainda que a unidade conta com uma equipe multidisciplinar para atender os pais. “A mãe carrega o bebê durante toda a gestação e o natural é, ao nascer, a mãe ficar junto ao filho.
Quando acontece a internação na UTI Neonatal, a separação é muito traumática, cria um sentimento de luto. O nosso apoio é importante. Na primeira visita à UTI, a equipe explica todos os motivos do filho vir para a unidade e ficar numa incubadora. A primeira imagem do filho na incubadora, com fios, cateter, cpap (aparelho para respirar), alguns entubados, foge daquele bebê imaginário que a mãe ao longo da gestação previu.
O bebê real é diferente do bebê imaginário. A incubadora parece, num primeiro momento, algo intocável. O hospital conta com uma equipe multidisciplinar, formada por enfermeiros, psicólogos, nutricionista. Com o acolhimento que é feito, a mães começam a perceber o filho e criam confiança. É preciso acolher para confiar”, disse Abner.
As mães podem visitar seus filhos de três em três horas. Para pais é das 11h00 às 11h30, 15h00 às 15h30 e das 17h30 às 18h30. Aos domingos, avós podem visitar no último horário.
Depois que saem da UTI, as crianças são transferidas para um quarto, onde as mães têm um contato maior. É o que eles chamam de ‘Método Canguru’. “A criança fica no colo da mãe por aproximadamente quatro horas. E vai criando o afeto. Neste local são passadas instruções para o dia-a-dia. Em seguida as mães levam seus bebês para a casa”, finalizou o enfermeiro.
