Cotidiano
Vereadores da base aliada criticam Administração Municipal
publicado em 28 de junho de 2018 - Por A Imprensa de Bragança
Beth Chedid (DEM), à esq., e José Gabriel (DEM) minimizaram algumas críticas em favor de uma agenda positiva
Não faltaram críticas à Administração Municipal, muitas delas de vereadores da situação, na 21ª sessão ordinária do Poder Legislativo de 2018, na última terça-feira, 26.
Alertas ao Executivo e cobranças a secretarias do município deram o tom dos debates em temas como denúncia de lavagem de carro feita por servidor em sede de secretaria, moradores de rua, mudanças nos locais de coleta para exames laboratoriais, feira livre noturna, Festival de Inverno, obras, entre outros assuntos.
Secretários municipais foram os alvos das cobranças
No uso da tribuna pelos vereadores, o primeiro a reclamar foi Cláudio Moreno (DEM). Ele lamentou desentendimentos entre integrantes da Secretaria de Juventude, Esportes e Lazer (Semjel) na organização de alguns eventos esportivos. “Pelo que estou sentindo nos bastidores, está na hora de o pessoal se reunir para ver quem coordena, quem manda, porque parece estar havendo um racha interno. Isso arranha a imagem do governo. Sugiro que o prefeito Jesus Chedid se reúna com o pessoal e resolva”, criticou.
O vereador pediu também providências em relação a um servidor da pasta que teria sido flagrado lavando seu carro no último domingo, na sede da Secretaria, no Lavapés. “O que me deixa um pouco mais tranquilo é que o Carlinhos [Carlos Alberto de Souza, secretário] já deu início a uma sindicância. Se tiver que mandar embora ou suspender, que se faça.

Marco Antônio Marcolino (PSDB), ao fundo, e Cláudio Moreno (DEM) discutiram sobre lavagem de carro por servidor na sede da Secretaria de Esportes
É uma coisa menor, mas se numa secretaria que fica num dos pontos mais movimentados da cidade o funcionário se acha no direito de fazer isso, imagina em outros pontos da cidade? Precisamos ficar atentos”, alertou.
Cláudio Moreno também pediu mais atenção quanto à situação dos moradores de rua. “A política que vinha sendo realizada sobre os moradores de rua diminuiu e, quando isso acontece, eles aparecem em mais lugares e se sentem os donos do pedaço. O trabalho tem que ser diuturno. Ou os abordadores fazem isso todo santo dia ou não vai resolver. Aí nós vamos voltar ao tema quando de novo matarem alguém?”, disparou.
O vereador disse ainda que a Administração precisa dar atenção à habitação e à industrialização. Benedito Bueno (PSC) também reclamou da situação dos moradores de rua. “Eles têm o direito de ir e vir, mas não podem fazer o que bem entenderem nos próprios públicos”, concordou.
Ele cobrou também novamente a instalação de banheiros para os feirantes da Vila Bianchi. No mesmo tema, Sidiney Guedes (PMN) solicitou mais uma vez a implantação de uma feira noturna.
José Gabriel Cintra Gonçalves (DEM) criticou as obras nas praças Raul Leme e José Bonifácio. “Estão caminhado a passo de tartaruga”, disse.
O vereador também comentou sobre o Festival de Inverno. Ele cobrou que a secretária municipal de Cultura e Turismo, Vanessa Nogueira, cumpra a promessa que fez a ele, de incluir na programação uma dupla sertaneja de raiz de renome e pediu maior presença dos artistas locais nos eventos promovidos pela pasta.
“É comum a secretaria de Cultura do nosso município não prestigiar mais os artistas de Bragança. Eles ficam fora faz anos. Não é só nesta gestão. A Secretaria de Cultura precisa fazer um cadastramento de artistas locais”, endossou Benedito Bueno.
João Carlos Carvalho (PSDB) reivindicou o retorno da coleta de material para exames laboratoriais nos postos de saúde nos bairros.
“Faço um apelo à Marina de Oliveira [secretária de Saúde] porque até hoje não me convenci sobre as justificativas que foram dadas quando tiraram os procedimentos de coleta de material nas unidades básicas de saúde. Sempre falei nessa tribuna que é um direito e uma conquista adquirida ao longo do tempo e isso foi tirado da população”, cobrou. “É que a Dra. Marina nunca foi ao Jardim Águas Claras pegar um ônibus no horário de pico, com a mãe idosa, um filho no colo. A pessoa desce no Lavapés. Tem que subir a pé a Barão de Juqueri ou Assis Gonçalves para ir à Santa Casa e ficar na fila. Isso é sofrimento”, arrematou João Carlos.
Mário B. Silva criticou a postura de alguns membros do Executivo, sem mencionar nomes, e cobrou mais agilidade em certas situações, principalmente em relação às obras. “É ano de eleição. Não vai ser fácil e há pessoas que estão brincando na Prefeitura”, alertou.
Depois de tudo isso é que vieram as críticas da oposição. Marcus Valle (PV), que apresentou um pedido de informações ao Executivo sobre a situação do servidor da Semjel, falou também a respeito das obras na Praça 9 de Julho. Ele mencionou reportagem publicada pelo BJD sobre um desencontro de informações entre secretários no que diz respeito ao estacionamento em 45° e pediu mais agilidade. “Sei até que o contrato permite que vá até o final do ano, mas o ideal é que seja terminada rapidamente, porque está causando transtorno à população e comerciantes da região”, afirmou.
Luis Henrique Duarte (PV) prometeu levar à Justiça alguns casos de artistas que foram contratados pela Secretaria Municipal de Cultura e Turismo para eventos locais com inexigibilidade de licitação, sem se enquadrar na legislação.
As críticas da situação voltaram justamente com o líder do prefeito, Paulo Mário Arruda de Vasconcellos (PR).
Ao mencionar a reunião que formalizou o convênio entre a Prefeitura e a Universidade São Francisco (USF) para a elaboração da revisão do Plano Diretor, assunto também tratado por Benedito Bueno e Natanael Ananias (PSC), Paulo Mário lamentou a falta de reconhecimento dos representantes de ambas as partes na solenidade ocorrida no auditório do Complexo Integrado de Segurança e Mobilidade (CISEM) na última segunda-feira, 25.
“É uma oportunidade única de podermos celebrar esse convênio, mas não posso deixar de colocar que tudo isso começou com o Paulo Mário. Eu levei os secretários lá na USF, fiz as reuniões, e ficou como se nada tivesse acontecido. Não me importo de dividir com 50 pessoas, mas esquecer que ajudei é uma injustiça, principalmente em se tratando de política”, disparou o vereador líder do prefeito, que também reclamou de não ter sido reconhecido por sugerir à Prefeitura a instalação de telões para a exibição dos jogos do Brasil na Copa do Mundo.
Defesa
Coube a Beth Chedid (DEM), presidente da Câmara, tomar a dianteira na defesa do Executivo. Ela anunciou a conquista de R$ 734 mil para a aquisição de mais de 3 mil mesas e cadeiras a serem destinadas às escolas do município, mencionou reuniões nas secretarias estaduais de Saúde, Educação e Cultura, o convênio entre a Prefeitura e a USF para a revisão do Plano Diretor e exaltou o trabalho do prefeito Jesus Chedid (DEM) e do deputado estadual Edmir Chedid (DEM) na obtenção de recursos ao município, como os cerca de R$ 5 milhões para a construção de duas creches. “Há anos não se constroi uma creche no município. Falar que a Administração não tem feito a diferença é negar o óbvio”, justificou. Não só Beth Chedid como José Gabriel e Marco Antônio Marcolino (PSDB) minimizaram críticas à situação envolvendo a Semjel.
“A secretaria tem componentes do meu partido, mas estou aqui para defender um trabalho que está chamando muito a atenção na região, que não envolve só os dirigentes. Há professores de Educação Física que nunca estiveram tão motivados. É impressionante a alegria dos servidores concursados. Estamos prestes a ser sede da Confederação Brasileira de Atletismo. Não podemos colocar à frente de tudo um problema tão pequeno”, defendeu Marcolino.
Grande expediente
No grande expediente, após o uso da tribuna pelos vereadores, Cláudio Moreno voltou a atacar. Ele pediu mais agilidade dos secretários nas respostas aos vereadores. “Os secretários precisam levar a sério o que falamos aqui. Quando tratamos de alguma reivindicação da população, esse secretário precisa falar com a gente em uma semana, no máximo. Pessoalmente, ou através do Marcos Tasca [secretário de Governo] ou algum funcionário nomeado para isso. Precisa dar atenção e aí sim poderemos trazer uma agenda positiva. Tem secretário que só vai se inteirar sobre um assunto quando sai no jornal”, finalizou. Mais informações da Câmara na página 5
