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HOMENAGEM
publicado em 28 de abril de 2018 - Por
Esta coluna incentivou em especial duas netas do meu pai, para o gosto pela escrita. As duas mais velhas, que por sinal estão na foto desta coluna. Isadora,20 anos (que chegou a ter sua própria coluna no BJD depois deste incentivo) e Helena,14 anos (que segue esta inspiração em suas produções de textos e ele quis publicar uma crônica dela aqui).Nossa homenagem para ele será muito bem representada pelo relato delas. Adalberto
VOVÔ…
Isadora: Infelizmente ou felizmente para ele, meu contador de histórias favorito virou estrelinha. A estrelinha mais brilhante e bela de todo céu.Ele sempre foi um avô maravilhoso, poderia passar horas escrevendo o privilégio que foi tê-lo na minha vida durante estes 20 anos, mas prefiro apenas agradecer por me tratar com carinho e afeto sempre.
Helena: Meu avô sempre foi um orgulho pra mim. Sempre o olhava com muita admiração e me perguntava como era possível uma pessoa ser tão inteligente. Meu avô sempre soube de tudo, conversava sobre qualquer assunto com muita sabedoria.
MEMÓRIAS…
I: Muitos momentos marcaram minha vida com sua presença, mas meus prediletos são as madrugadas que ficou acordado me ajudando a resolver exercícios de matemática e ao contrário do que dizem por aí, sempre teve muita calma e paciência para cada detalhe que me ensinou; as histórias das raposas com o rabo colorido, era sempre a mesma história, mas a sensação de poder escolher a cor do rabo dela, me fazia ficar ansiosa para dormir na sua casa.
H: Lembro que trazia revistas de ciência para mim e nós dois líamos juntos todas as matérias. O que sempre me impressionou, foi que todas as dúvidas que eu tinha sobre o que estava sendo tratado, ele respondia como se tivesse estudado isso a vida inteira. Além de sábio, meu avô sempre foi muito brincalhão. Uma das primeiras memórias que tenho com ele, era que no seu quarto tinha um chapeleiroe ele guardava uma boina. Que sinceramente, nunca o vi usar, mas por outro lado eu adorava este adereço. Uma vez, ele me levou para dentro do carro, no banco do motorista e me colocou em seu colo. Ficamos um bom tempo lá, eu brincando de dirigir e ele rindo dos barulhos que eu fazia para imitar um carro.
REFERÊNCIA…
I: A felicidade que ficou quando decidi que faria Direito e seguiria sua profissão, o tanto que ficava feliz por ver meus textos publicados no jornal e orgulhoso quando consegui uma coluna no mesmo. O que ele não sabia, é que toda minha inspiração veio dele. Existem milhões de outros momentos especiais, mas esses eu guardo dentro de mim.
H: Toda vez que eu escrevia um texto para a escola, quando era menor, mandava pra ele por e-mail e pedia para que me dissesse se estava bom. Ele sempre devolvia de forma muito positiva, meu coração enchia de orgulho e meu ego triplicava. Hoje eu sei que mesmo se eu escrevesse com vários erros de ortografia, ele não iria dizer. Essa não era sua função naquele momento. Sua função era me fazer ter confiança e segurança. Isso foi o que mais aprendi com o meu avô. Ter confiança em mim mesma e ter segurança, para discutir qualquer assunto, sempre admitindo as dúvidas e erros. Esse ensinamento levarei para a vida inteira.
AMOR…
I: Sempre me chamou de meu anjo, mas agora quem passa a ser o meu, é ele! Até breve, vôzinho. Que aí no outro lado toda a dor sentida aqui na Terra se transforme em paz e alegria. Sem mais delongas, saiba que te amarei para sempre.
H: Meu avô sempre teve o costume de chamar todos os netos de “meu anjo”. Sempre achei algo muito carinhoso e me sentia honrada de ser chamada assim. Tinha vontade de sorrir ao ouvir estas palavras saindo de sua boca. Hoje não deixei de ser seu anjo, mas a diferença é que ele também é o meu. Isso me faz sentir mais honrada ainda, por ter um anjo tão carismático e inteligente, que me acompanhará durante minha eternidade.
É isso… Lendo o relato da Isadora e Helena, somado ao de todos os familiares, amigos e de todos os relatos que estamos recebendo sobre ele, de forma tão intensa e verdadeira, podemos afirmar: ele cumpriu sua missão. Deixou sementes em vários campos, onde há pessoas dispostas a cultivá-las. E independente de qualquer crença, apesar de acreditarmos que ele continua no seu processo evolutivo, sua eternidade neste plano está na memória de quem o conheceu de verdade!!
Muito obrigada ao BJD por nos dar a oportunidade de agradecer a todos pelo carinho recebido!
